Sábado, Novembro 21, 2009

circo do sol




Cirque du Solei, em Lisboa

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Sexta-feira, Novembro 20, 2009

debruçada sobre o mar




Pinhal do Rei

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globalização... solidária

O culto da personalidade, levado aos mais elevados níveis de paranóia, diria mesmo, de uma forma doentiamente exacerbada, tem caracterizado a nossa sociedade nas últimas décadas, situação que se tem vindo a agravar nos últimos anos.

A tão propagada e elogiada globalização económica e financeira, que não é nem social nem solidária, tem criado um fosso ainda mais profundo entre as pessoas, pois exige cada vez mais competitividade individual, muitas das vezes cega aos interesses colectivos, com efeitos, obviamente, perversos.

É nesta realidade, indiscutível à luz duma observação concreta, que os estudiosos da evolução e desenvolvimento mundial põem a sílaba tónica na importância das pessoas, no valor do trabalho de equipa, no interesse da partilha do saber. São temas da moda e como tal os governantes, os gestores das empresas e outros mandantes deste mundo afirmam-se, publicamente, seguidores destas novas (?) teorias de gestão.

A realidade, para o observador atento, quão longe está das palavras que são ditas e escritas todos os dias…

Continuo, evidentemente, a defender que o mais importante das instituições, públicas ou privadas, são as pessoas, pese o facto de ser algo incómodo para quem o defende mas não pratica, tal como continua a acontecer na sociedade do século XXI.

Para que isso aconteça julgo, na minha modesta opinião, de que o Homem Novo deverá ser mais compreensivo e solidário, com capacidade de trabalho colectivo mais do que procurar o individualismo e que o Mundo deverá ser devolvido ao seu verdadeiro dono: o Povo Universal.

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Quinta-feira, Novembro 19, 2009

mistérios sonhados




Pôr-do-Sol no Pinhal do Rei

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o outono

Outono do amor outono das aves
E de vozes caladas e de folhas
Molhadas de temor e surdo pranto

[Gastão Cruz, Poemas Reunidos]



O Outono bateu à nossa porta envergonhado por vir ensombrar o Verão que estava na hora de partir. É sempre assim todos os anos, mantém-se hesitante pelo menos até aos festejos de São Martinho. Depois desse tempo “de ir à adega e provar o vinho”, isso sim, começa afoitamente a preparar o caminho e, especialmente, o sentir das gentes para os tempos de invernia.

O Outono é do agrado dos amantes, pela suavidade que consigo traz, o convite ao recolhimento às carícias aos afagos. São tempos de maturação, depois de terminadas as colheitas. É tempo do mosto fervilhar e das grandes transformações, feitas com a tranquilidade do saber.

As avezitas voam mais baixo, sentem a força e atracção telúrica. Mas são voos de desassossego, de azáfama na procura de espaço de protecção e de abrigo. Outras tomam rumos do longe seguindo registos do seu código genético que as leva ao encontro de condições climatéricas adequadas à sua condição.

Daqui a pouco, as vozes alegres e expansivas que vibraram nos tempos de estio vão dar lugar aos murmúrios à volta da lareira, no recolhimento dos sentimentos, na preparação para o Inverno com os receios que desde eras imemoriais foram passando de geração em geração. As noites longas e escuras como breu sonham mundos fantásticos que o madrugar virá desvanecer nas mentes das pessoas.

Outono dos “amarelos e castanhos e dos vermelhões” como uma querida amiga tão bem o coloriu é tempo de afectos...

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Quarta-feira, Novembro 18, 2009

pastoreio no cabo




pastoreio em terras da Azóia, Cabo Espichel

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o velho pescador

Dedicado à minha Querida Amiga "Gaivota", do blogue MareTerra




O olhar já não tem o brilho de outros tempos, mas o seu semblante, o rosto marcado pelo tempo e pelas agruras da vida, expressa sabedoria. Conhece o mar como ninguém, os seus humores e os seus sinais. Sabe que o mar não é traiçoeiro, avisa sempre que a ira e a força vêm ao de cima.

O velho pescador ensina todos esses sinais aos mais novos, àqueles que agora começam nas companhas e que vão buscar o seu sustento ao mar que por vezes é doce e chão e outras é tão violento e irado. As marcas do luto, contam bem que seus filhos queridos não lhe seguiram os conselhos.

Desde esses tempos dolorosos que o olhar deste velho pescador perdeu o brilho mas não o querer que um dia, quando a sua altura chegar, possa vir a encontrar todos aqueles que o mar tragou e que ele tem a certeza “viverem” na mais bela ilha submersa.




Local: Nazaré
Data: Anos 60 do século passado

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Terça-feira, Novembro 17, 2009

uma flor para... a magymay




[a MagyMay é uma querida amiga que tem o blogue Trivialidades e Croquetes, e amiga amiga de primeira água]

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janela aberta para o oceano

imagem que vale oitocentas palavras
É frequente ouvir dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens do “Olho de Lince” valem somente oitocentas pelo que há que as fazer acompanhar por um texto de duzentas




Por esta ampla janela aberta para poente entra uma lufada de cultura e de saber, como o sentiram os frades franciscanos que aqui levaram uma vida sem ostentação mas que grandes acometimentos culturais realizaram.

Daqui desfrutaram uma das mais belas panorâmicas da chamada “boca do rio Tejo” e deixaram espraiar o pensamento desde o Monte da Lua, na Serra de Sintra até ao Barbárico Promontório, o Cabo Espichel.



Mas também neste local de respira poesia. Um monumento designado “Emissor Receptor de Ondas Poéticas” configura uma estrela de cinco pontas, símbolo com conotações libertárias, dá-nos a imagem da liberdade em que as linhas de fuga se dirigem ao céu azul, sem perder o seu apego telúrico e com o mar, que se vê até à linha do horizonte, a completar a trilogia de elementos: ar, terra e mar.

O simbolismo da estrela de cinco pontas é inquestionável, encontrando-se também na bandeira da República Democrática do Chile e na boina de Che Guevara.

Em conjunto com um memorial designado “Mil Olhos” homenageia o grande poeta chileno Pablo Neruda que morou os últimos anos da sua vida à beira do Oceano Pacífico, outros mares mas a mesma água que a vista daqui alcança.

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Segunda-feira, Novembro 16, 2009

livro de honra

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os segredos que o mar guarda

É nesta época de invernia, quando as equipas de limpeza das praias do Grande Areal ainda não entraram em acção que nos apercebemos da imensidade de objectos feitos lixo que o mar vem depositar nas doiradas areias.

Vêm de longe, por certo, esta “gandaia” que a areia vai cobrindo e que tempos depois a maquinaria de “arrasto” para a limpeza das praias põe de novo à vista e recolhe para depositar em aterros sanitários. Mas quanta desta “gandaia” não é trazida pelo mar para os areais e continua a sua negativa missão de poluição dos mares e oceanos, até à eternidade.

Estaremos nós isentos de responsabilidade quanto a estas situações?

Quando chega o Verão os seres humanos sentem-se atraídos pelo mar. Multidões concentram-se nas praias na procura das ondas do mar que lhes dão prazer e tranquilidade. O ser humano é naturalmente ingrato e em paga de tamanho bem estar deixa nas areias doiradas milhões de sacos de plástico e outros artefacto do mesmo material que o vento e as marés se encarregam de levar para o mar.

Um saco de plástico pode navegar dezenas de anos sem se degradar. As tartarugas do mar confundem-nos com as medusas e tentam comê-los, afogando-se no acto de os tragar. O mesmo acontece com milhares de golfinhos que não têm capacidade de distinguir o que são desperdícios humanos e tentam comer tudo o que flutua.

Uma rolha de plástico, mais dura do que um saco do mesmo material, pode permanecer inalterada no mar mais de um século. O Dr. James Ludwing, que estudava o albatroz na Ilha de Midway, no Pacífico, muito longe dos centros populacionais fez uma descoberta fantástica: Quando recolheu o conteúdo dos buchos de oito filhotes da albatroz que encontrou mortos deparou-se com 42 tampas de plástico, 18 isqueiros e restos flutuantes na maioria pequenos pedaços de plástico. Estes filhotes haviam sido alimentados pelos seus progenitores que no momento de os alimentar não tinham tido capacidade de reconhecer os desperdícios.

Da próxima vez que visitares a tua praia preferida é possível que encontres algum lixo que não deitaste na areia. Outra pessoa o fez. Mas não encolhas os ombros. O lixo não é teu, mas...

É a TUA PRAIA, é o TEU MAR, é o TEU MUNDO

Muitos pais brincam com seus filhos ao jogo de... ver quem consegue juntar maior quantidade de plásticos, uma verdadeira lição de ecologia.

Outros, em silêncio, apanham um saco de plástico e levam para suas casas longe do mar. Vão com um sorriso nos lábios, pois sabem que acabaram de salvar um golfinho.

As praias da Costa de Caparica, a Praia do Sol, com uma extensão superior a 15 quilómetros dispõem de receptores de lixo de vinte em vinte metros ao longo de toda a orla marítima.

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Domingo, Novembro 15, 2009

magia do fogo

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vento forte

espaço de poetar
Não sou poeta inspirado nem sequer sei construir rimas de espantar. Juntando algumas palavras, dando-lhe sentido e afecto, procuro nelas encontrar o encantamento das coisas simples e das vivências de um ancião



Vento forte sobre o mar
Vindo da terra mourama
Na calidez do rumar
No sufoco do amar
Levantinas ondas brama

Espraia xailes de prata
Na força do seu soprar
São sons de uma sonata
Murmúrios de serenata
Cumplicidades sem par

Desenha imenso colar
Com gotículas de cristal
Vão o azul adoçar
Dar brilho e muito lunar
Num rito ancestral

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Sábado, Novembro 14, 2009

elegante rosa

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a história do "tonino antonieta"

a banda do cidadão em acção
Vivências reais, contadas ao estilo de contos curtos, onde é posta a evidência a utilidade pública de um meio de comunicação rádio, muito em voga nas décadas de 80 e 90 do século passado. Chegaram a ser constituídas redes internacionais de emergência rádio com muitas acções humanitárias realizadas. Os governos dos diversos países do Mundo nunca viram com "bons olhos" este sistema, pois era um sistema de comunicações para todos, sem quaisquer tipos de fronteiras


D. José Pérez G., cura pároco duma aldeia da província de Palência é um grande amante das radiocomunicações. Amante de tal ordem que possui um transceptor da Banda do Cidadão.

Uma noite, faz algum tempo, há hora em que a frequência está cheia de "chamadas gerais", monsenhor José fez a sua por diversas vezes. Não obteve qualquer resposta. O Mundo, pelos vistos, parecia dormir calmamente à sombra da pomba da Paz.

Quando monsenhor José se preparava para descansar em paz com Deus, o seu equipamento de CB captou uma chamada de socorro.

A chamada de socorro SOS. Era um SOS angustiado da embarcação italiana "Tonino Antonieta" da praça de Génova: "Estamos à deriva na direcção da ilha de Ponza!".

O SOS era emitido em italiano, mas também em espanhol e em francês. O caso de "Tonino Antonieta" poderia ser uma tragédia como tantas e tantas embarcações desaparecidas misteriosamente no mar. Velhas tragédias de barcos que se não fora a preciosa ajuda de um rádio tinham empreendido a sua última viagem.

Monsenhor José escutou o apelo primeiro com surpresa, pois nunca havia sido posto perante problema semelhante. Depois reagiu e respondeu à chamada pedindo o indicativo e a confirmação do apelo. Tudo confirmado pediram lhe que retransmitisse a mensagem para as estações italianas.

Muito embora a chamada de socorro não tivesse clarificado a situação geográfica em que a embarcação se encontrava, nosso homem passou a retransmitir a mesma. Responderam lhe diversas estações italianas, prontificando se a comunicar o apelo às autoridades marítimas.

Pouco depois as comunicações com o "Tonino Antonieta" foram cortadas, na altura em que chegava a confirmação de que as autoridades militares italianas tinham dado ordem de saída a um rebocador da Capitania de Gaeta e de um horizonte da estação de socorro da Vagan di Valle. Também recebeu o aviso o vapor Sorrento, que fazia a travessia de Génova para Nápoles, informando que desviaria a rota para observar tudo o que fosse possível.

Depois de tudo isto, silêncio! Eram três horas da madrugada.

Alguns dias depois, Monsenhor José recebia os periódicos italianos "Il Tempo" e "Laboro", os quais davam conta da chamada de socorro recebida pelo cebeísta de Palência.

Explicavam igualmente como as autoridades marítimas italianas haviam mandado explorar durante três dias a latitude onde, aproximadamente, se poderia encontrar a embarcação italiana "Tonino Antonieta", com resultados negativos. Não obstante, enviavam os mais profundos agradecimentos, em nome da Itália, a Don José Perez G. que de tal maneira havia sabido cumprir o seu dever utilizando o seu pequeno emissor/receptor da Banda do Cidadão.

Todavia, hoje continua a ser um mistério o que se passou com a embarcação "Tonino Antonieta".

Foi um "barco fantasma" e a bordo ouviu se a ária "O Inferno", da Divina Comédia de Dante Alighieri? Iria o "Tonino" sem tripulação e governado pelo holandês errante com a sua alma no purgatório? Existiu realmente uma tragédia que hoje se encontra sepultada no fundo do oceano? Que algo de extraordinário aconteceu naquela noite o deixam adivinhar as notícias veladas da imprensa italiana.

Em todo o caso, o mistério do "Tonino Antonieta" ficará para sempre nas águas genovesas e nas ondas recolhidas por aquele pequeno transceptor duma aldeia de Palência.



[este texto faz parte de um projecto da Oficina das Ideias intitulado A CB EM ACÇÃO]

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

tempo solar

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sexta-feira 13 a dualidade duma crendice

É mais frequente do que à primeira vista pode parecer, merecendo mesmo assim uma atenção particular, mesmo pelos que não são supersticiosos. Só em 2009 houve três “sexta-feira, 13”. Nos meses de Fevereiro e Março e agora no mês de Novembro. Contudo, para o ano de 2010 tal somente se verificará no mês de Agosto.


Sexta-feira, 13 é na tradição da civilização ocidental considerado um dia aziago, um dia onde diversas desgraças se podem juntar numa cumplicidade atroz e recaírem sobre o ser humano criando-lhe muitos problemas.

Para os cristãos, especialmente para os mais supersticiosos, é símbolo de desgraça, já que 13 eram os convivas da última ceia de Cristo, tendo este morrido numa sexta-feira. A crença na má sorte do número 13 parece ter tido, assim, a sua origem na Sagrada Escritura.

Nesta crendice, ou superstição, ou lenda, ou memória popular, como em tantas outras circunstâncias semelhantes, há uma notória apropriação por parte da Igreja dos sentimentos do Povo, de tempos muito anteriores à sua existência.

Uma lenda escandinava diz ter existido uma deusa do amor e da beleza chamada Friga, que deu origem a friadagr, sexta-feira. Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, a lenda transformou Friga numa bruxa exilada no alto de uma montanha. Para se vingar, ela passou a reunir-se todas as sextas-feiras com outras onze bruxas e mais o demónio - totalizando treze - para rogar pragas sobre os humanos. Da Escandinava a superstição espalhou-se pela Europa.

Também a mitologia nórdica se refere a este tema. No valha, a morada dos deuses, houve um banquete para o qual foram convidados doze divindades. Loki o espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga tamanha em que morreu o favorito dos deuses. Daí veio a crendice de que convidar 13 pessoas para um jantar é desgraça pela certa.

Há pessoas que pensam que participar num jantar com 13 pessoas traz má sorte porque uma delas morrerá no período de um ano. A sexta-feira 13 é considerada como um dia de azar, e toma-se muito cuidado quanto às actividades planeadas para este dia. Pessoas mais sensíveis a estas questões evitam viajar nestes dias e recusam utilizar alojamentos ou lugares em teatros e cinemas que tenham o número 13. Aliás, por essa mesma razão, a numeração dos camarotes de teatro omite, por vezes, o 13, em alguns hotéis não há o quarto com esse número que é substituído pelo 12ª e nas provas de automobilismo o 13 é banido.

Estes testemunhos e superstições são tão arbitrários e subjectivos que o mesmo número – 13 – e a mesma coincidência – sexta-feira, 13 - em vastas regiões do planeta - até em países cristãos - são estimados como símbolos de boa sorte.

O argumento dos optimistas tem por base o facto de que o 13 é um número afim ao 4 (1 + 3 = 4), sendo este, símbolo de prosperidade e de sorte.

Na Índia o 13 é um número religioso muito apreciado, de tal forma que os pagodes hindus apresentam normalmente 13 estátuas de Buda. Na China, não raro os dísticos místicos dos templos são encabeçados pelo número 13. Também os mexicanos primitivos consideravam o número 13 como algo santo, adorando por exemplo as 13 cabras sagradas.

A propósito da “sexta-feira, 13” é muito interessante a opinião do Doutor Moisés Espirito Santo, aliás, englobando a grande maioria das superstições, que opina terem origem no que poderíamos designar por “cartas fora do baralho”, isto é, situações incoerentes e estranhas que originam os mitos e superstições. No caso do 13 trata-se de um número que vem depois dos números da felicidade. A seguir à felicidade e fora dela, o azar.

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Quinta-feira, Novembro 12, 2009

amor perfeito

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o pagamento duma promessa

Recordam-se com certeza de aqui ter escrito…

Dizem os mais antigos, que foram acumulando com o tempo sabedoria… e também brejeirice que as mulheres que viajarem Rio Douro acima, partindo do lugar onde hoje está construída a Barragem de Miranda do Douro, e não vislumbrarem no escarpado da margem esquerda o número 2 que se não casarão. O casamento somente surgirá depois de tal visão.

O referido número 2 diz-se ser “obra” na Natureza que o desenhou no amarelo da rocha resultante dos líquenes que aí crescem naturalmente.

Mas acrescenta a lenda…

Se for um homem que não consiga ver o número 2 pode ter a certeza de que a mulher o anda a trair…

Não esqueçam, contudo, de que esta estória não é mais do que uma lenda.”


Algumas das nossas dedicadas leitoras ficaram algo preocupadas pois não haviam conseguido vislumbrar o celebrizado 2. Prometi, então, que clarificaria tal visão. E aqui está o cumprimento da promessa


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Quarta-feira, Novembro 11, 2009

quentes e boas

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no dia de s. martinho vai à adega e prova o vinho

No falar e no sentir do nosso Povo é neste dia, 11 de Novembro de cada ano, que as famílias se juntam para saudar a chegada do tempo frio, da invernia, da época de recolhimento. As vindimas já lá vão e o vinho mais temporão já poderá ser provado, são muitas as adegas que esperam este dia para fazerem a “abertura do vinho novo”. Contudo, muito caminho deverá ainda ser percorrido para que o maravilhoso néctar das uvas pisadas possa ser degustado na sua total plenitude.

Nos meios rurais terminaram os trabalhos agrícolas, sendo tempo de aproveitar das colheitas, dos frutos e do vinho, sendo época de exuberância familiar e comunitária, época de folgar, com uma ajuda a propósito do delicioso néctar. Nos folguedos de Outono, junta-se o religioso ao pagão que da tradição tem muito peso. O vinho vai correr solto gargantas abaixo.

Se já fez frio, nas terras mais serranas, então a água-pé, elaborada com o destino do S. Martinho festejar, já poderá ser devidamente apreciada. Caso contrário, há sempre o recurso à jeropiga e ao abafadinho. As vitualhas da tradição são as sardinhas, que já não pingam no pão, e quantas vezes não são das de conserva de salmoura em barrica, e as castanhas, assadas, cozidas com erva doce e as “quentes e boas”, assadas no forno sem qualquer corte.

A lenda de S. Martinho tem mais a ver com as condições climatéricas da época, o chamado Verão de S. Martinho, do que com as comezainas que lhe estão associadas. Conta a lenda...

Num dia tempestuoso regressava Martinho, valoroso soldado romano, à sua terra natal, montado a cavalo e agasalhado com uma pesada capa usada pelo exército de Roma. Na curva de um caminho deparou-se com um mendigo quase nu, tremendo de frio, enregelado, que lhe estendia a mão suplicante. Martinho sem hesitar parou o cavalo, e não tendo qualquer outro recurso disponível, rasgou a sua própria capa de militar, cedendo parte ao mendigo para que se cobrisse e protegesse. Subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Verão inundou a terra de luz e calor, e para que para sempre se recorde esta atitude do soldado Martinho, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso. O soldado foi mais tarde canonizado como S. Martinho.

O costume do Magusto, que tradicionalmente começava no Dia de Todos-os-Santos, é simultaneamente uma comemoração pagã da chegada do Outono e um ritual de origem religiosa: o dia do Santo Bispo de Tours, S. Martinho.

A água pé é o resultado da água lançada sobre o mosto retirado do mosto vínico para o objectivo concreto de produzir esta bebida que pode ser consumida em plena fermentação. Por isso, reza o ditado popular: "No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho”.

Quanto às celebradas castanhas, assadas com sal grosso, de preferência da salga do toucinho, cozidas com erva doce, “quentes e boas” assadas no forno sem qualquer corte, secas tornando-se “piladas” e utilizadas depois de bem demolhadas, acompanhando em puré outros preparos, ou servindo uma sopa aveludada e cremosa, o consumo de castanhas estende-se de finais de Setembro até ao início da Primavera.

Alguns ditos populares alusivos às castanhas e ao S. Martinho:

Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho
Pelo S. Martinho, prova o teu vinho, ao cabo de um ano já não te faz dano
Pelo S. Martinho mata o teu porco e bebe o teu vinho
Pelo S. Martinho semeia favas e linho
No dia de S. Martinho fura o teu pipinho
O Verão de S. Martinho é bom mas é curtinho
A castanha tem uma manha, vai com quem a apanha.
Ao assar as castanhas, as que estouram são as mentiras dos presentes.
Cada mocho no seu souto.
Castanha que está no caminho é do vizinho.
Castanhas do Natal, sabem bem e portem-se mal.
Do castanha ao cerejo, mal me vejo.
Em Maio comem-se as castanhas ao borralho.
No dia de S. Martinho, há fogueiras, castanhas e vinho.
Na família da castanha o pai é pingão, a mãe é raivosa e a filha é amorosa.



Festejar o S. Martinho na boa companhia do Baco e do Agostinho (o de Viena de Áustria pois claro) resulta sempre numa degustação ímpar. Aqui ficam algumas quadras de "pé quebrado", inéditas e populares, que o pessoal da Oficina das Ideias deseja convosco partilhar:

S. Martinho não se cansa
De alegrar o Zé Povinho
Quando Baco entra na dança
E prova um copo de vinho

É dia de S. Martinho
Almada vai festejar
Abre a adega e prova o vinho
Que aroma! Que paladar!

Com tantos anos vividos
S. Martinho ao acordar
Desperta os cinco sentidos
E vem o vinho provar

No dia de S. Martinho
A tradição em Almada
Na adega prova o vinho
E castanha bem assada

No dia de S. Martinho
P’ra celebrar com amigos
Da adega vem o vinho
Castanhas, nozes e figos.




E agora... o Natal está à porta. Como diz o nosso Povo: "dos Santos até ao Natal, é um saltinho de pardal!"

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Terça-feira, Novembro 10, 2009

sem refúgio

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um raio de luz na vida do pintor

No caminhar da vida e do sentir
Ao velho pintor vai faltando inspiração
O traço antes firme, é agora indecisão
As cores dão lugar ao cinzento do devir.

A paleta de cores há muito ressequida
Esboroa-se como o tempo passa sem cessar
A sua eterna capacidade de muito amar
No ocaso da vida o pintor sente perdida.

No meio da borrasca de tamanha tempestade
Um raio de luz forte em tons doirados
Ilumina o rosto do pintor qual esplendor

A mão de novo firme desenha a amizade
A inspiração volta aos caminhos já andados
O traço colorido é de novo um hino ao amor.

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Segunda-feira, Novembro 09, 2009

toscas vestes

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água dos casais da charneca

minha terra é meu sentir
Caparica mais do que uma terra é um Povo. Gente que construiu vida entre o mar e a floresta em diversificado labor. Da sua vivência aqui se regista testemunho




Nos indicadores geográficos da Península de Setúbal [http://www.setubalpeninsuladigital.pt] das oito fontes de águas minero-medicinais referenciadas, quatro situam-se no Concelho se Almada: Fonte do Paraíso (Caparica); Fonte dos Casais da Charneca (Charneca de Caparica); Fonte da Pipa (Cacilhas); e Fonte da Telha (Caparica).

A “Corografia” (1706) refere a existência de três fontes de água minero-medicinais todas situadas num profundo e verdejante vale, o Vale da Rosa, onde corre um ribeiro que actualmente (2009) serve de fronteira natural entre as freguesias de Monte de Caparica e de Charneca de Caparica, o que pressupõe, desde logo, a existência no local de importante sistema aquífero que em tempos serviu para captação das águas para abastecimento público da Charneca de Caparica.

As fontes referidas são as Fonte da Telha, cujas águas são indicadas para o aparelho digestivo e rins (Contreiras, 1951), Fonte de Nª Sª da Rosa, com água considerada milagrosa na cura da lepra e a Fonte dos Casais da Charneca, cuja água chegou a ser explorada comercialmente com a designação de Água de S. Vicente e vendida em garrafões de cinco litros (em 1945, 1.018 garrafões e em 1946, 3.032 garrafões).

As referências às águas minero-medicinais da Charneca de Caparica são muito antigas podendo ler-se menções à Fonte de Nª Sª da Rosa na “Corografia” (1706) e no “Aquilégio” (1726) como pertencente à cerca do convento do mesmo nome, da Ordem dos Religiosos de S. Paulo, que não estando determinada a data da sua construção, sabe-se ser já habitado por eremitas no ano de 1413. Refere-se a “Corografia” nestes termos “Na cerca tem uma fonte com o nome de Nª Senhora da Rosa, cuja água é milagrosa e tem a virtude de curar a lepra”. A gente mais antiga ainda hoje lhe chama a “Fonte Santa”.

Quanto à água da Fonte Casais da Charneca, depois de ser utilizada de um poço aberto para fins agrícolas, foram nelas reconhecidas capacidades curativa, tendo sido analisada (Rego, 1922) por um funcionário do Instituto Central de Higiene, tendo-a considerado cloretada sulfatada sendo, posteriormente, de novo analisada (Carvalho, 1945) e considerada “a água dos Casais da Charneca é fria, hipossalina, cloretada sódica e bicarbonetada cálcica. De reacção alcalina, levemente sulfatada e fracamente radioactiva”. Acrescentando, ainda, “a água dos Casais da Charneca é muito pura atestando a excelência da captagem”. A comercialização da água da Fonte dos Casais da Charneca terá terminado no fim da década de 1960, por falecimento do seu último proprietário, Armando da Costa Lima.

Quanto à Fonte da Telha, que de topónimo semelhante nada tem a ver com a aldeia piscatória localizada a sul do concelho de Almada, é por certo uma outra emergência do mesmo aquífero, na escavação de um declive de terreno, tendo assim sido denominada por correr a água por uma telha ali colocada. É água muito procurada pelos populares pelos seus efeitos digestivos. Um utilizador desta água afirma “Esta água tem muita argila, eu dou-me bem com ela, como é água de nascente dá muito boa disposição. Agora já há uns tempos que cá não vinha. Mas por exemplo às vezes tinha assim uma azia de estômago e bebia e passava logo.”

À conversa com o Sr. José Mateus da Silva (7/11/2009), de 70 anos, ribatejano a viver há cerca de 40 anos na Charneca de Caparica, recorda-se perfeitamente da existência de quatro poços, o primeiro no território da freguesia da Charneca de Caparica e mais três na freguesia de Caparica, no caminho pedonal para Vila Nova.



[contributos para a história da Charneca de Caparica - minha terra de sentires]

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Domingo, Novembro 08, 2009

o segredo das ondas




costa do Morgavel, Sudoeste Alentejano

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as rosas de outono têm um aroma diferente

espaço de poetar
não sou poeta inspirado nem sequer sei construir rimas de espantar. Juntando algumas palavras, dando-lhe sentido e afecto, procuro nelas encontrar o encantamento das coisas simples e das vivências de um ancião



Abeirei-me da roseira
“Príncipe Negro”
Vermelha
Senti o seu aroma
Tão intenso
Tão diferente
Agora que é Outono
De calendário marcado
Mas o Sol tão fagueiro
Extrai orientais
Odores
Realiza o estabelecido
Une sentires
Amores
Centro do mundo
Encontro
De quem bem se quer
Valle Rosal
Jardim
De mil flores

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Sábado, Novembro 07, 2009

um poema, uma flor




azulejaria portuguesa do século XVII

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dançar em charneca de caparica

Lemos, faz tempo, no livro Trajes, Danças e Cantares da Caparica, da autoria de António Correia, editado em Costa de Caparica no ano de 1972, acerca das danças praticadas em Charneca de Caparica:

Vimos há tempos um rancho folclórico de determinada região dançar o nosso “Tacão e Bico” que, decerto, alguns, embora poucos, velhos ainda se recordam, de o ter dançado ou dele ter ouvido falar. Essa dança é deveras engraçada. Os cavalheiros e as damas, ao compasso da música, batem ao mesmo tempo, no chão, com o salto e depois com a biqueira do sapato ou bota. Essa dança, tão difícil de dançar e tão trivial na nossa terra, deu um salto ao Ribatejo, e hoje é desconhecida na Caparica. O mesmo sucede com a “Polca” e, em especial, a que se dançava na Charneca de Caparica: “Polca Janota”. Para a dançarem, era preciso saber e muito treino, pois esta polca pelo esforço que era necessário fazer, requeria boa constituição física.

Quando vim nos primeiros tempos para Charneca de Caparica, a férias ou para passar o fim-de-semana, já se não dançava em Charneca de Caparica, terra que no passado fora terra de dançar.

Na verdade, o seu Povo dividia a actividade entre a faina do mar, dirigindo-se para isso para a Fonte da Telha, em cujas companhas se integravam, ou nas tarefas do campo e da mata, especialmente, como lenhadores e carvoeiros. As actividades de trabalho que praticavam eram propícias à dança.

Em 1975, a Dona Emília, minhota radicada na Morgadinha, no termo de Charneca de Caparica criou um grupo de “danças e cantares” que recuperou para a Charneca de Caparica a tradição de dançar, facto de grande importância para a cultura da região.

Na região de Charneca de Caparica dançava-se o “Tacão e Bico” em tempos passados, hoje somente recordado por escritos, pois os mais velhos já se não lembram de o dançar e, tão pouco, de dele terem ouvido falar.

Era uma dança muito engraçada, viva e ousada, em que os cavalheiros e as damas, ao compasso da música, batem ao mesmo tempo no chão, ora o salto ora a biqueira do sapato ou da bota.

Originária da zona interior da Caparica, foi levada para terras do Ribatejo, onde hoje é dançada, enquanto por aqui está quase esquecida.

O mesmo sucede com a “Polca”, especialmente, a “Polca Janota” outrora dançada pelos bailadores e bailadeiras de Charneca de Caparica.

Para a dançarem, os bailadores deveriam possuir destreza e preparação física bem desenvolvidas pois era uma dança muito exigente, pela sua vivacidade e expressão corporal.



[contributos para a história da Charneca de Caparica - minha terra de sentires]

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Sexta-feira, Novembro 06, 2009

confidente mar

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just perfect

A minha Querida Amiga Mariazita, do blogue A Casa da Mariquinhas teve o afecto de me oferecer o selo “VIP Just Perfect” que muito lhe agradeço.



De acordo com as normas deste “méme” deverei atribuir este mesmo selo a 12 blogues da minha preferência. Como em tudo na vida, há que fazer opções sem que tal represente qualquer desprimor para os blogues que não vou premiar.

Aqui fica a indicação dos blogues escolhidos pelo pessoal da Oficina das Ideias

As Minhas Romãs, de Paula
Bailar das Letras, da Cathy
Beijinhos Embrulhados, da Maria Teresa
Carpe Diem, da Sara
Flor de Lis, da .Lis
Instantes da Vida, da Amigona
MarETerra, da Gaivota
Perfume de Jacarandá, da Lilá(s)
Sexta-Feira, da Elvira Carvalho
Traduzir-se…, da Lualil
Trivialidades e Croquetes, da MagyMay
Uma Nova Cubata, da Fatyly

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Quinta-feira, Novembro 05, 2009

uma flor para... a lígia




A Lígia é uma querida amiga da Oficina das Ideias, que nas terras do Brasil luta por uma vida melhor

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brasas vermelhas

Brasas vermelhas crepitam em pequenas labaredas
Que fazem brilhar os olhos de luxúria e de paixão
Nas malhas do sentir meu corpo enleias e enredas
Em prazeres infinitos em eterno querer e devoção

Queimo cascas de tangerina em minhas rudes mãos
Com fogo que transmite teu profundo e doce olhar
Em passos de sensualidade, música e ritos pagãos
Caminho veredas caminhos tortuosos sem hesitar

O vinho tinto limpa a boca e amacia meus lábios
Sedentos de beijos mil, carícias, erotismo sentido
Meu corpo recebe a vibração de movimentos sábios
Agora encontrado caminhar logo depois perdido

Que um sopro breve o crepitar das brasas (re)avive
Sejam farol que conduzam caminhos de felicidade
Muito querer aos escolhos encontrados sobrevive
Traçando o desejado sentir e querer da Liberdade

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Quarta-feira, Novembro 04, 2009

medronhos da aldeia

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sonhar é ir mais além

“¿Qué es la vida? Un frenesí,
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño:
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.”

[Calderón de la Barca]



Sonhar é voar é ir mais além
Do que o pensamento nos admite.
É sentir o muito querer por alguém,
Por mais que a razão nos limite
O coração sempre quer e o permite

Em seu sonho tão linda e indefesa
Despojada de roupa e muito bela.
Sobre o leito espraia sua beleza,
Que o olhar se deslumbra e enovela
Em memórias que anima e desvela.

Seu rosto sereno faz-me pensar
Que vive um sonho belo e muito terno.
Lindos olhos boca de encantar,
A tranquilidade de um sentir eterno
Que ilumina de Verão dias de Inverno.

Seus seios de mulher que doçura
Por vermelha cambraia estão cobertos.
A imaginação voa longe e em loucura,
Por espaços amplos e abertos
Nossos sentidos são então despertos.

Seu ventre é suave e sensual
Arredondado e macio no sentir.
Está coroado por um brilhante divinal,
Que ilumina o caminho a seguir
No espaço e no tempo sinal do devir.

O âmago do seu ser seu tesoiro
Recatadamente velado ao meu olhar.
Emoldurado por delicioso tosão de oiro,
É um sonho sonhado de louvar
O muito querer porque não? o adorar.

Seus lindos olhos de mel eu beijei
Numa doce carícia sem ter fim.
Na exuberância do sentir eu fiquei,
Consigo eternamente junto a mim
A mente a dizer não o coração sim.

Por seus olhos de mel me perdi
Deixei-me envolver pela loira cabeleira.
Aconcheguei-a a meu peito e senti
O calor de seu corpo duma maneira
Como se para mim fosse a vez primeira

Sonhei-a no Arco-Íris celestial
Por terras e mares maravilhosos.
Adorei sua imagem única sem igual,
Seu olhar e sorriso maliciosos
De seu corpo contornos deliciosos.

Queremos muito que o sonho não acabe
Mas tudo que começa tem um fim.
Diz o Povo que é aquele que mais sabe
Mas porque o pouco é imenso para mim
O sonho me ensinou um eterno sim.

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Terça-feira, Novembro 03, 2009

cabo espichel




Cabo Espichel (Promontório Barbárico) visto do Grande Areal

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o mágico alvorecer o de hoje

Já passava das 7 horas quando o sol surgiu na linha do horizonte, assim reza o Borda d’Água e eu pude confirmar, ligeiramente ofuscado no seu esplendor pela neblina trazida dos lados do oceano por uma muito suave brisa marítima.

A noite fora um pouco húmida fazendo que um odor telúrico, intenso, invadisse os nossos pulmões, algo que há semanas não acontecia fruto das elevadas temperaturas e dos ares desérticos que por cá têm andado.

A intensidade deste odor da terra não impedia, contudo, na tranquilidade do alvorecer, que outros cheiros compusessem um perfume ímpar. É o cheiro do mar trazido pela brisa matinal. São os cheiros das flores de Valle do Rosal onde predominam as rosas. Enfim, é o odor deste alvorecer mágico.

Mas a magia também tocou as avezitas que ensaiam, manhã cedo, os seus voos e os seus cantares melodiosos. As aves pequenas, porque as gaivotas voando lá bem no alto há muito que migram da orla costeira para o interior na procura dos alimentos.

Os melros, os despertadores da Natureza, ainda noite já ensaiavam as comunicações de longa distância com os seus iguais. Os seus piares despertam toda a Natureza para a intensidade do dia que agora nasce.

Toda esta agitação provocada pelo Sol que dava os seus primeiros passos em Valle do Rosal não bulia minimamente com a calma e tranquilidade que se respirava nesta manhã de magia.

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Segunda-feira, Novembro 02, 2009

lua de novembro




Lua Plena de Novembro às 19:14 horas (100%)

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viagem ao douro internacional - final

No Douro/Duero, de regresso para um “Final Feliz”


A Rocha Redonda que se encontra integrada no Santuário Rupestre de S. Mamede ficou para trás quando o navio “Escua” rodou 180 graus e tomou rumo ao Sul. O rio espelha docemente as duas margens como dizendo que dos dois países vizinhos é pertença, melhor, é pertença das gentes transfronteiriças.



A vegetação luxuriante enche os nossos olhares de cor, lembrando-nos a cada momento a importância da sua preservação e a catedral da Natureza em que navegamos.



O nosso dedicado guia solicita o silêncio absoluto. O piloto do navio “Escua” reduz ao mínimo o funcionamento dos motores que ficam silenciosos. “Escutem… escutem os sons da Natureza!”. No silêncio quase absoluto é, então, possível começar a ouvir os sons de algumas das aves que aí habitam. A perdiz… o grifo… o corvo marinho… o pato real…



Os belos efeitos cromáticos resultantes dos reflexos na tranquilidade das águas do rio Douro acompanham-nos permanentemente, variando como um caleidoscópio



Depois, surge-nos imponente, no alto da penedia, a Sé Catedral de Miranda do Douro



Esta maravilhosa viagem aproxima-se do seu final. Na margem direita do rio Douro, em terras de Portugal, espera-nos o cais da Estação Biológica Internacional



No rodar da embarcação, podemos ainda observar a árvore que designámos “Árvore de Fronteira”, magnífica de beleza e simbolismo



Já em terra foi-nos servido um “Porto de Honra” e apresentado um magnífico exemplar de Bufo Real, que faz parte das acções de preservação em ambiente natural de animais e aves em vias de extinção



E para um final feliz uma imaculada rosa branca que em si encerra todo o encantamento desta viagem ao Douro Internacional.

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Domingo, Novembro 01, 2009

batente e aldraba

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o “pão por deus”

As nossas crianças, os meus netos, os miúdos da cidade nunca conheceram a magia do "pão por Deus" que fazia andar bandos de crianças no dia 1 de Novembro, dia de Todos os Santos, de porta em porta, de vizinho em vizinho, pedindo figos, nozes e outras guloseimas.

_Ó Vizinha, dê o “Pão por Deus”!

O consumo desenfreado e a globalização económica geram o esquecimento das coisas simples e da nossa tradição. Mas valerá sempre a pena, apesar de tudo, pedir o “pão por Deus” numa cabeça de abóbora ou num chapéu de bruxa.

Mas na tradição portuguesa o “pão por Deus” era guardado num saquinho de pano que tempos antes a nossa mão ou a nossa avó preparavam com todo o cuidado com uma sobra de chita de algum trabalho de costura.

Ainda hoje nas aldeias mais recônditas, de manhã bem cedinho, no dia de Todos os Santos, as crianças saem à rua em pequenos grupos para pedir o "Pão por Deus". Caminham assim por toda a povoação e ao fim da manhã voltam a casa com os sacos de pano cheios de romãs, maçãs, bolachas, rebuçados, castanhas, nozes e, por vezes, até dinheiro.

Esta prática era realizada por miúdos de famílias mais modestas e procuravam sempre visitar os mais ricos da terra para poderem trazer algumas guloseimas que noutras épocas do ano nunca conseguiam obter. Recordo-me que havia o costume de confeccionar para oferecer nesta época uns bolos em formato de ferradura e com um agradável sabor a erva-doce.

Estas andanças de porta em porta eram sempre acompanhadas com cantilenas que continuam na memória colectiva

"Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus."

Ou então, como me recordou a minha boa amiga Sonyah:

"Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz


Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
P´ra vir dar um tostãozinho."

(quando os donos da casa dão alguma coisa, vem a resposta...)
"Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho."

(quando os donos da casa não dão nada, é a ira da miudagem...)
"Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto."


A propósito do "Pão por Deus" recebi um interessante comentário, que é experiência de vida vivida, da minha querida amiga Milu, do blogue Miluzinha - Blog, que tomo a liberdade de aqui transcrever trazendo-o para a ribalta da Oficina das Ideias:

"Em criança comecei a ir ao pão por deus logo no meu primeiro ano de escola. Eu adorava esse dia, pelas coisas que me davam e pelo convívio com outros miúdos da minha idade. Pedir pão por deus em grupo era muito divertido, mas tudo tem o seu segredo: Quando nos dirigíamos a uma casa fraccionávamos o grupo, porque quanto menos formos, mais nos dão, ou seja, há a tendência das pessoas para diminuir a oferta a cada criança perante um grupo grande.


Algumas vezes aconteceu-me bater à porta de uma pessoa que me atendeu um pouco desiludida, por ter tido a preocupação de preparar o pão por deus para dar à criançada e, afinal, ainda ninguém lá tinha ido! Claro que nestas circunstâncias quem ganhava era eu! Quando assim era, ficava tão contente que até os meus sapatos ganhavam molas.


Passávamos a informação uns aos outros de quais eram as casas que davam e quanto davam, enfim, era um dia em cheio para a miudagem. Quando o meu filho era pequenino fui eu que o incitei a ir bater à porta dos vizinhos, comigo sempre a vigiá-lo, tinha de ser. No fundo pretendi que ele experimentasse a mesma alegria e satisfação que eu mesma senti, quando também eu pedi pão por deus.


Deleitava-me toda a ver-lhe os olhitos brilhantes, ainda de chupeta, com a baba a escorrer pelo queixo, devido à forma como segurava a chupeta e a olhar para dentro da saca onde abundavam os rebuçados e chupas de todas as cores e sabores. Tempos! Tempos que já lá vão!"

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Sábado, Outubro 31, 2009

ao ritmo do coração

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noite das bruxas

Há muitos anos atrás, nas terras verdejantes e húmidas da Irlanda, vivia um camponês, de seu nome Jack, que ganhava a vida com um próspero negócio de nabos, de que possuía uma vasta plantação. O Diabo perseguia-o com tentações a que o camponês ia resistindo.

Usando das suas artimanhas o camponês conseguiu que o Diabo subisse para o alto de uma árvore. De pronto, empunhando um machado esculpiu na árvore um enorme crucifixo aprisionando o Satanás.

Este, velho e sabido, propôs um pacto ao camponês. O camponês limpava o crucifixo da árvore, libertando-o, que este nunca mais o perseguiria com tentações. O camponês aceitou e o pacto se cumpriu.

Um dia o camponês morreu. Como pecados não tinha dirigiu-se ao Céu. Mas aí não foi aceite pois tinha em vida feito um pacto com o Diabo. Sem alternativa, dirigiu-se ao Inferno onde foi, igualmente, rejeitado, pois em vida nunca tinha sido pecador.

Sem ter para onde ir, Jack foi condenado a vaguear eternamente entre os vivos e regressou à Terra cheio de vergonha tentando esconder-se à curiosidade e desdém dos que por cá tinham ficado. Condenado a ser visível de 31 de Outubro para 1 de Novembro encontrou como solução disfarçar-se cobrindo a cabeça com um enorme nabo oco e onde abriu uns olhos e uma boca.

Então, ele implorou a Satã que acendesse brasas para iluminar seu caminho. O Diabo deu-lhe um pequeno pedaço de carvão incandescente. Para proteger a luz, o irlandês colocou o carvão dentro do buraco do nabo. Surgiu assim o "Jack o'Lantern" (Jack da Lanterna) como é conhecido. E, assim, dessa forma, os irlandeses comemoram a noite de “halloweene” desde os tempos imemoriais.

Quando os irlandeses emigraram em massa para os "states" levando consigo as suas tradições depararam-se com a existência de coloridas abóboras que foram adaptando à tradição, em substituição dos nabos.


Uma outra origem da “Noite das Bruxas” encontra-se no facto de para os Celtas, o dia 31 de Outubro ser o dia fora do tempo, pois o calendário iniciava-se no dia 1 de Novembro e terminava no dia 30 de Outubro. Este dia então era considerado o dia em que o espaço entre os dois mundos deixava de existir, e os mortos nos vinham visitar. Estamos a falar do “Samhain” (que se pronuncia “sou-en”) e marcava o fim do Verão (samhain significa literalmente "fim do verão" na língua celta).

Samhain é também o antigo Ano Novo celta/druida, o início da estação da cidra, um rito solene e o festival dos mortos. É o momento em que os espíritos dos seres amados e dos amigos já falecidos devem ser honrados. Houve uma época na história em que muitos acreditavam que era a noite em que os mortos retornavam para passear entre os vivos. A noite de Samhain é o momento ideal para fazer contacto e receber mensagens do mundo dos espíritos.

Era no Samhain que os druidas marcavam o seu gado e acasalavam as ovelhas para a Primavera seguinte. O excesso da criação era sacrificado às deidades da fertilidade, e queimavam-se efígies de vime de pessoas e cavalos, como oferendas sacrificiais. Diz-se que acender uma vela de cor laranja à meia-noite no Samhain e deixá-la queimar até o nascer do sol traz boa sorte; entretanto, de acordo com uma lenda antiga, a má sorte cairá sobre todo aquele que fizer pão nesse dia ou viajar após o pôr-do-sol.

A ideia de usar um nabo surgiu com os Celtas, povo que se espalhou pela Europa entre 2 000 e 100 a.C. Um dos símbolos do seu folclore era um grande nabo com uma vela espetada.

A versão cristã do Samhain é o Dia de Todos os Santos, 1 de Novembro, que foi introduzido pelo Papa Bonifácio IV, no século VII, para substituir o festival pagão. O Dia dos Fieis Defuntos que se celebra a 2 de Novembro é outra adaptação cristã ao antigo Festival dos Mortos.

As nossas crianças, os meus netos, nunca conheceram a magia do "pão por Deus" que fazia andar bandos de crianças no dia 1 de Novembro, dia de Todos os Santos, de porta em porta, de vizinho em vizinho, pedindo figos, nozes e outras guloseimas. Nossa culpa!

Os norte americanos, “povo culto e de profundas tradições!”, logo trataram de exportar esta festividade para a Europa, como sempre entrando pelo norte de velho continente, provavelmente pela Suécia, estando agora em moda em Portugal. Negócio é negócio!

O mesmo aconteceu em relação ao Brasil. Acontece que o governo brasileiro não aceitou de bom grado esta “colonização” cultural feita a partir de um país onde ela é escassa, quando o Brasil é terra de muita tradição e cultura. No ano de 2005 o governo brasileiro criou um evento de cariz nacional o Dia do Saci, precisamente no dia 31 de Outubro, por forma a contrariar a referida “colonização cultural” e recorrendo a uma lendária figura “o Saci”, também conhecido por “Saci Pererê”.

As tarefas desta “divindade” estão relacionadas com o aproveitamento do que a Natureza nos oferece, especialmente ervas medicinais, pelo que lhe compete a preparação de chás, mezinhas e beberagens utilizadas para melhorar as condições de vida das pessoas. Mas o Saci é, igualmente travesso e endiabrado, contudo, guardião das matas e florestas.

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Sexta-feira, Outubro 30, 2009

modernices

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viagem ao douro internacional 6

No Douro/Duero, de Miranda até à Rocha Redonda

Manhã cedo, estômago reconfortado com um lauto pequeno almoço (desanuyo) tomado em terras de Muga, ao caminho nos fizemos com destino à Estação Biológica Internacional, situada a norte da barragem de Miranda do Douro e em cujo ancoradouro embarcaremos no navio ecológico “Escua”, com capacidade para 120 pessoas e equipado com os mais modernos meios de não intrusão no sistema ecológico



No tempo de espera de embarque, num amplo espaço debruçado sobre as águas tranquilas do rio Douro Internacional, podemos observar os cuidados que existem por parte desta parceria transfronteiriça, através do Centro de Turismo Ambiental Luso-Espanhol, a quem foi atribuído o 1º Prémio Nacional de Turismo, na manutenção da qualidade ambiental e da preservação dos meios naturais.

Deliciámo-nos com belos exemplares da flora local



com uma fonte natural de água cristalina que desde a alta penedia até à margem do rio Douro corre num fio de pureza



e até com um bem-humorado alerta



Após a euforia do embarque, o experiente guia apresentou a tripulação luso-espanhola, o capitão do “Escua”, “El Capitan”, o piloto e o guia portugueses e as assistentes de bordo oriundas dos dois lados da fronteira. Perante nós o impressionante Rochedo do 2, lendário e magnífico na sua cobertura de líquenes amarelos esverdeados.



A experiência do guia levou a que facilmente o nível de ruído no interior do navio baixasse quase até ao silêncio, como se impunha para não perturbar o meio ambiente em que navegamos. E nesse silêncio e observação chegamos à designada Poça das Lontras.



A bússola apontava de uma forma geral a Norte, mas a realidade é que perante a imponente vista dos elevados rochedos difícil era, a cada momento, saber para que direcção o navio iria rodar, servindo o facto de mote para um jogo de adivinhação com que o guia nos presenteava, enquanto ia fornecendo pormenores sobre os pontos mais interessantes da viagem.



A vegetação variegada impressiona pela forma como coabita com os rochedos inóspitos, surgindo da cada falha ou em cada irregularidade do terreno. Azinheiras, zimbros, freixos e o endémico “Dragão das Arribas”.



No decorrer deste cruzeiro ecológico está prevista uma paragem com saída para o exterior do navio e visita à Área Temática do Vale da Águia, onde ainda é possível de observar uma cabana em pedra que servia de habitação às gentes de outros tempos. Nesta área temática, além da cabana propriamente dita, estão patentes uma picota, cortiços e diversas árvores cujas folhas e frutos eram utilizadas para fins medicinais e culinários.



No topo da alcantilada penedia, na margem direita do rio Douro, a nossa atenção fixa-se num enorme rochedo zoomórfico designado Rocha do Urso



Chegados ao extremo norte do percurso ecológico a indicação de retorno é-nos dada pela Rocha Redonda que se encontra integrada no Santuário Rupestre de S. Mamede

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Quinta-feira, Outubro 29, 2009

sétima onda






Mar do Grande Areal, Praia do Sol

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oa animais são nossos amigos

Aquando da realização do I Encontro Arca de Noé, em prol da defesa e da protecção dos animais abandonados e, em geral, de todos os animais, como AQUI tão bem se encontra documentado, tivémos o ensejo de escrever a propósito um modesto um poema.

A minha querida amiga Sara, do blogue Carpe Diem, enriqueceu-o ilustrando-o com muita sensibilidade.

Aqui tomo a liberdade de o partilhar

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Quarta-feira, Outubro 28, 2009

olhar de sábio






O Alfarrabista, da autoria do barrista José Franco

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ocarinas e flautas

As ocarinas e as flautas são, dentro da classificação geral dos instrumentos, designados instrumentos de vento, que apresentam duas características essenciais: Têm um tubo que encerra uma coluna de ar produzido pelo executante; Têm um elemento que põe em vibração a referida coluna de ar produzindo um som.

A mais antiga ocarina conhecida remonta aos tempos da civilização Maia, estando o seu som relacionado, tal como acontece com o da flauta, com o deus Pan da mitologia grega.

É um instrumento de configuração física muito simples, donde se pressupõe, geralmente, de grande dificuldade de execução. Tal não acontece na realidade, pois a sua utilização rudimentar, como era feita na sua origem, é muito simples.

Embora adoptada pela Europa, tendo sido trazida para Itália há cerca de 500 anos, das civilizações Azteca, Maia e Inca, continua a ter a sua expressão mais original como elemento fundamental da cultura musical andina.



Quanto à flauta, referimos aqui a zampoña, que é uma flauta pânica, em honra ao deus Pan, conhecida igualmente por siku ou por antara. Enquanto a designação zampoña tem origem no grego, siku é de origem aymará e antara de origem quechua. Tal como a ocarina estas duas últimas pertencem à cultura musical andina.



A flauta e a ocarina na lenda

Conta a lenda que deus Pan se enamorou pela ninfa Siringa que passeava nos bosques dançando e caçando com seu arco e flecha. Um dia Pan perseguiu-a até que o rio Ladón lhe cortou o caminho. A ninfa vendo-se ameaçada pediu socorro às naíadas que a transformaram numa cana. Pan, muito desconsolado, verificou que o vento sibilava ao passar pela cana e pensou serem os lamentos da ninfa.

Decidiu cortar a cana e uniu vários pedaços com cera, construindo assim a sua siringa (flauta) para a tocar quando a paixão e o desejo o possuíam.

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Terça-feira, Outubro 27, 2009

na tua cor igualdade





Flor da Esteva

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estória de uma galena

tempos da rádio
na memória dos tempos aqui registo ao ritmo das recordações a minha breve incursão amadorística por territórios da radiodifusão, da telefonia e da telefonia sem fios, do encantamento da comunicação bidireccional e da interactividade entre o emissor e os ouvintes, os radiouvintes, como há época se dizia.




A galena do pai do meu tio Armando


Decorriam os anos 50 do século passado, talvez já iniciada a segunda metade da década, as férias de Verão, pelo menos parte significativa das mesmas, eram passadas numa aldeia da região Oeste de Portugal, terra de origem do meu ramo familiar materno: Fernandinho.

Tempos descuidados e sem preocupações passados nas correrias e brincadeiras próprias da miudagem de pouco mais de 10 anos de idade. Férias quase sempre acompanhado do meu primo Carlos, filho da irmã de minha mãe, em correrias de bicicletas e jogos do pião, do berlinde e tantos outros.

Sossegávamos e ficávamos embevecidos a olhar quando o avô do meu primo Carlos, antigo regedor da aldeia, se dispunha a mostrar-nos o seu baú de memórias e de saberes. Tocava banjo como ninguém e ficávamos horas a ouvi-lo tocar.

No entanto, aquilo que mais prendia a nossa atenção era uma aparelhómetro estranho a que ele chamava galena [*] ligado a um enorme fio de cobre esticado e com o qual depois de devidamente manipulado (sintonizado) nos possibilitava ouvir vozes e músicas, vindos sei lá de onde.

Apercebíamo-nos, contudo, que ele tinha algum cuidado para que do exterior da casa os passantes não se apercebessem do que estávamos a ouvir. Soube mais tarde, quando fui tendo consciência das coisas, que o Estado Novo punha muitas restrições à utilização destes equipamentos e que, mesmo naquela aldeia recôndita, os “escutas”, os bufos andavam sempre atentos.




[*] A galena foi inventada em 1906, quando um coronel do exército norte-americano, H. H. C. Dunwoody, patenteou o detector de cristal de sulfeto de chumbo natural (galena) que ligado a uma antena de fio de arame fino (bigode de gato) se transformava num receptor de emissões radiofónicas. Todo o som emitido pelo transmissor e captado pela antena, passava pelo cristal e era ouvido através de um par de auscultadores. As frequências emitidas eram sintonizadas no cristal ou pedra de galena, bastando para isso uma pequena variação na agulha.

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Segunda-feira, Outubro 26, 2009

pobre pescador





Artes no Grande Areal, Praia do Sol

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viagem ao douro internacional 5

Dormir em Muga de Sayago



A pouco mais de uma vintena de quilómetros de Miranda do Douro, para lá do Rio Douro, quando toma o nome de Rio Duero, passada a barragem de Miranda, por tal já em terras de Castilla y Léon, fica um pueblo de pouco mais de 420 habitantes chamado Muga, Muga de Sayago, onde a pernoita nos está destinada. Mudamos de país mas também de paisagem que agora é muito mais agreste



O desejado repasto é servido à moda da região, “cocido” de seu nome, servido com fartura uma grande diversidade de carnes, muitos enchidos e couves… não galegas, mas couves de Castilla.

A refeição servida numa sala enorme, mesas de tampo largo e bancos corridos, fez-nos recuar a imaginação até à Idade Média com a vontade irreprimível de comer com as mãos, mas para alarves não sermos considerados, degustamos a refeição comportadamente.

Para um número mais reduzido de comensais a sala de jantar seria esta



O café devidamente acompanhado de um coñac Carlos I em perfeito ambiente de “bar de copas”



A dormida, tranquila noite em que somente de tempos a tempo se ouvia o sino da Igreja ou um chocalho de gado mais irrequieto, foi no Centro de Turismo Rural “El Paraje de Sayago”. Estávamos na Espanha profunda, tão perto da fronteira e tão longe da capital madrilena.

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Domingo, Outubro 25, 2009

mercado da jorna





Monumental painel de azulejos, Rossio, Viseu

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a revolta dos contadores de tempo

Os canais de televisão, quer os designados “canais abertos” quer os que chegam até aos nossos televisores através de cabo, apresentavam a essa hora, na generalidade, uma programação chatíssima. Filmes de violência gratuita, debates entre os nossos “homens da frente” que de tudo sabem imenso, televendas, música de cordel de acordo com “play-lists” internacionais...

No meu sótão há muito que parara o desassossego dos melros a piarem em fim-de-dia em cima do telhado e chegara o silêncio quebrado unicamente pela melodia de uma música a sair pelas colunas de som do computador. Mão amiga me fizera chegar acordes de Mantovani.

De súbito a agitação... Olhei o relógio de pulso... 2 horas da madrugada!

Dezenas de contadores de tempo que fui juntando com o passar dos anos reagiam cada um à sua maneira à institucionalizada “mudança de hora”. Chegado o momento de, cada um de nós, “ganhar mais uma hora de vida” (logo, logo, seis meses depois perdida), dar um passo para entrarmos no chamado “horário de Inverno”, aqui no hemisfério Norte e, concretamente, em Portugal.

Os computadores, o de mesa e o portátil, que foram registando conhecimentos com o passar do tempo, ou com o tempo que passa, não necessitaram de qualquer intervenção, trataram da sua vida. Os despertadores de corda manual, preocupados unicamente com os ponteiros de marcar o tempo, pois o de despertar manter-se-á na mesma posição, pediam somente um pouco mais de corda para a hora de trabalho adicional. Os de pilhas e cristal de quartzo, somente a carecerem de que os ponteiros retrocedessem uma hora.

Depois... os contadores de tempo “muito especiais”...

Um relógio de Sol, conservador no sentir, quer lá saber disso da “hora legal”! Quer é o Sol de cada dia para desempenhar a sua função!

Uma ampulheta que deseja comemorar a ocasião e que pede para que lhe demos uma “viradinha” que ela de encarregará de lentamente deixar passar um a um os grãos de areia...

E o relógio de pulso da marca “Romano” em metal dourado e correia de pele natural? Bom esse magnífico relógio vindo ali das bandas do Cais do Sodré, pela mão do meu amigo Silva, do British Bar, esse para atrasar uma hora terei que o adiantar....

Alguns minutos depois das 2 horas, seriam então 1 hora e 5 minutos, o sossego voltou ao meu sótão, como é próprio do adiantado da hora.

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Sábado, Outubro 24, 2009

cartilha maternal




Estátua a João de deus e à Cartilha Maternal - Viseu

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os animais são nossos amigos

Está frase de grande musicalidade ouvimo-la cantar já lá vão mais de 30 anos e não era um lugar-comum, uma frase feita. Continha, efectivamente, toda a força de um ideal nascente de que os animais, de trabalho, de companhia, de guarda, não mais deveriam ser tratados como coisas, mas sim com um estatuto de seres vivos, quantas vezes retirados do seu ambiente natural para fruição pelo ser humano.

Mulheres e homens de boa vontade sentiram a profundidade de tais palavras. Nasceram um pouco por todo o nosso Portugal associações de defesa, de protecção dos animais e mesmo de preservação para as espécies em vias de extinção, vocacionadas para os nossos amigos que pelo infortúnio da vivência, como com muitos seres humanos acontece, não tinham um abrigo ou alimentação que garantissem a sua sobrevivência.

Depois, anos houveram de decadência cívica e moral. A competitividade entre os seres humanos, o egoísmo, a vida vivida em cada vez maior isolacionismo, a dependência de uma televisão castradora da imaginação, levaram a um desinteresse acentuado por tão nobre missão de ajudar os nossos amigos animais.

Chegámos ao cúmulo de as leis que nos tempos actuais são aprovadas na Assembleia da República considerarem os animais como coisas e não como seres vivos carentes de cuidados e de protecção. O ser humano dá cada vez mais importância ao material em detrimento do social. Sabe o preço de tudo e o valor de nada.

Mas os animais… continuam a ser NOSSOS AMIGOS. Um punhado de mulheres e de homens juntaram-se no almoço de hoje, não pelo prazer da degustação ou do convívio que obviamente sentem, mas, especialmente para dizerem que estão solidários na defesa e na protecção dos animais no espírito da bela canção de José Barata Moura OS ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS.

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Sexta-feira, Outubro 23, 2009

noite fria




Viseu

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olhar o firmamento

Quando para o firmamento meu olhar ergui
Entre os milhares de estrelas tão brilhantes
Vislumbrei teu lindo rosto e só então sorri
Com a felicidade que só sentem os amantes

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